Pesquei uma passagem de um livro que estou lendo, e terminando com um sentimento enorme de pena por ter durado tão pouco: A lebre com olhos de âmbar de Edmund de Waal.
Um retrato muito bem tirado da vida de uma família de judeus oriundos de Odessa, que se instalaram em Viena e Paris a partir do final do século XVII. A descrição das duas cidades é minuciosa, para quem as conhece dá para passear de olhos abertos pelas ruas e lugares citados. O livro é sobre o caminho percorrido por uma coleção de netsuquês.
Quase no final, ele conta que uma das filhas desta família escreveu um livro, que não foi publicado, sobre a volta dela à Viena depois da II Guerra. E cita uma passagem do livro que eu copio aqui:
"É um livro sobre encontros. Ela escreve sobre a reação visceral de seu personagem a um oficial no trem qaundo chegam à fronteira, ao pedir seu passaporte:
Aquela voz, a enotnação atingia algures um nervo de garganta de Kuno Adler; não, abaixo da garganta, onde o ar e o alimento se mesclam nas profundezas do corpo; um nervo inconsciente, ingovernável, provavelmente no plexo solar. A qualidade daquela voz, daquele sotaque, suave e no entanto áspero, lisonjeiro e ligeiramente vulgar, sensível ao ouvido como um certo tipo de pedra o é ao toque - uma pedra-sabão, rugosa e esponjosa, e ligeiramente untuosa na superfície -, uma voz austríaca. "Controle de passaporte austríaco". "
Não imagino como seja uma voz austríaca, nem me emocionaria com ela, mas sei como é ouvir uma voz que reproduz "no plexo solar" uma voz que foi nossa muitos anos antes. Se não a voz, o sotaque.
Memórias, para que servem? São os nossos espelhos como Kundera escreveu?
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Não cutuca que eu acordo , Terezinha.
Direto do Armarinho aqui de casa ...( registrado no caderno lindo que o clubinho me presenteou à minha saída):
SIANINHA
No descuido da dor, sou feliz aqui e ali
No cochilo do amor, as lições não são claras , são sonolentas
No espasmo do viver , todas as dilacerações parecem ter cura
E todas as esperanças podem acontecer.
Na falta de sentido, sou musgo agarrado em pau
Qualquer veia minha pode romper
Qualquer fruto meu , amadurecer .
Ai sol, não me cedas à noite
Com meus sonhos a permear o escuro
Como sianinha entremeando saudades claras em panos pretos.
21-11-2011
besos
Denise
Beto, lembrei-me de Cecília Meireles e seu "Natal na Ilha do Nanja ", mas não é tão curto.
Então, por pura identificação do que quero neste natal em especial ,aqui vai um Manuel Bandeira :
Belo Belo
Belo belo belo, Tenho tudo quanto quero. Tenho o fogo de constelações extintas há milênios. E o risco brevíssimo - que foi? passou - de tantas estrelas cadentes. A aurora apaga-se, E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora. O dia vem, e dia adentro Continuo a possuir o segredo grande da noite. Belo belo belo, Tenho tudo quanto quero. Não quero o êxtase nem os tormentos. Não quero o que a terra só dá com trabalho. As dádivas dos anjos são inaproveitáveis: Os anjos não compreendem os homens. Não quero amar, Não quero ser amado. Não quero combater, Não quero ser soldado. - Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples. |
Feliz Natal a todos os meus queridos do clubinho!
Denise
Queridos do clubinho,
meu ano novo começou antes da hora...desde agosto.
A grande lição é sempre essa, sobre a qual o Drummond escreveu.
Despertemos o ano novo dentro de nós! Isto é sério .
Denise
Sobre hoje :
A simplicidade do mar lavou grande parte do peso deste ano e carregou com uma onda brincalhona e meio estúpida uma porção das cinzas do nosso Leonardo.
A simplicidade do mar lavou grande parte do peso deste ano e carregou com uma onda brincalhona e meio estúpida uma porção das cinzas do nosso Leonardo.
Corpos e almas lavadas pelas águas frias de um mar cúmplice e sem rodeios, seguimos em frente.
Um limoeiro, na fila, espera pra ser plantado pro nosso galego ,no quintal da vó Betinha.
Amigos,
Esse é do Vinicius , muito bonito , mas bem melancolico....
Enjoy
Beijos
Lillian
Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos
Por isso temos braços longos para os adeuses Mãos para colher o que foi dado Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos: Para a esperança no milagre Para a participação da poesia Para ver a face da morte De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
(Vinícius de Moraes)
.
Queridos Amigos do clubinho,
Achei esse poema lindo na Internet e achei bem pertinente ...
Beijos Lilian
Poema de Natal - Desejo de Victor Hugo
Mensagem de Natal, com o poema "Desejo" do poeta Victor Hugo. Aqui temos uma pequena parte desta linda obra arte: "Desejo primeiro que você ame, E que amando, também seja amado. E que se não for, seja breve em esquecer. E que esquecendo, não guarde mágoa. Desejo, pois, que não seja assim, Mas se for, saiba ser sem desesperar. Desejo também que tenha amigos, Que mesmo maus e inconseqüentes, Sejam corajosos e fiéis, E que pelo menos num deles, Você possa confiar sem duvidar. E porque a vida é assim.." Gostaria que nessa noite de confraternização, nossos relacionamentos, se estreite ainda mais, e que nossa amizade, que perdure para sempre. Que o seu Natal, seja repleto de alegria e paz, sinceramente é o que eu desejo com esta mensagem que envio.
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