quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Memórias

Pesquei uma passagem de um livro que estou lendo, e terminando com um sentimento enorme de pena por ter durado tão pouco: A lebre com olhos de âmbar de Edmund de Waal.

Um retrato muito bem tirado da vida de uma família de judeus oriundos de Odessa, que se instalaram em Viena e Paris a partir do final do século XVII. A descrição das duas cidades é minuciosa, para quem as conhece dá para passear de olhos abertos pelas ruas e lugares citados. O livro é sobre o caminho percorrido por uma coleção de netsuquês.

Quase no final, ele conta que uma das filhas desta família escreveu um livro, que não foi publicado, sobre a volta dela à Viena depois da II Guerra. E cita uma passagem do livro que eu copio aqui:

"É um livro sobre encontros. Ela escreve sobre a reação visceral de seu personagem a um oficial no trem qaundo chegam à fronteira, ao pedir seu passaporte:

Aquela voz, a enotnação atingia algures um nervo de garganta de Kuno Adler; não, abaixo da garganta, onde o ar e o alimento se mesclam nas profundezas do corpo; um nervo inconsciente, ingovernável, provavelmente no plexo solar. A qualidade daquela voz, daquele sotaque, suave e no entanto áspero, lisonjeiro e ligeiramente vulgar, sensível ao ouvido como um certo tipo de pedra o é ao toque - uma pedra-sabão, rugosa e esponjosa, e ligeiramente untuosa na superfície -, uma voz austríaca. "Controle de passaporte austríaco". "

Não imagino como seja uma voz austríaca, nem me emocionaria com ela, mas sei como é ouvir uma voz que reproduz "no plexo solar" uma voz que foi nossa muitos anos antes. Se não a voz, o sotaque.

Memórias, para que servem? São os nossos espelhos como Kundera escreveu?

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Não cutuca que eu acordo , Terezinha.

Direto do Armarinho aqui de casa ...( registrado no caderno lindo que o clubinho me presenteou à minha saída):


      SIANINHA


No descuido da dor,  sou feliz aqui e ali
No cochilo do amor, as lições  não são claras , são sonolentas
No espasmo  do  viver , todas as dilacerações parecem ter cura
E todas as esperanças podem acontecer.

Na falta de sentido,  sou musgo agarrado em pau
Qualquer veia minha pode  romper
Qualquer fruto meu , amadurecer  .    

Ai  sol, não me cedas à noite
Com meus  sonhos a permear o escuro
Como  sianinha entremeando  saudades claras em panos pretos.


21-11-2011


besos

Denise
Beto, lembrei-me de Cecília Meireles e seu "Natal na Ilha do Nanja ", mas não é tão curto.

Então, por pura identificação do que quero neste natal em especial  ,aqui vai um Manuel Bandeira :



Belo Belo
Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.

Tenho o fogo de constelações extintas há milênios.
E o risco brevíssimo - que foi? passou - de tantas estrelas cadentes.

A aurora apaga-se,
E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora.

O dia vem, e dia adentro
Continuo a possuir o segredo grande da noite.

Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.

Não quero o êxtase nem os tormentos.
Não quero o que a terra só dá com trabalho.

As dádivas dos anjos são inaproveitáveis:
Os anjos não compreendem os homens.

Não quero amar,
Não quero ser amado.
Não quero combater,
Não quero ser soldado.

- Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.


Feliz Natal a todos os meus queridos do clubinho!

Denise
Queridos do clubinho,
 meu ano novo começou antes da hora...desde agosto.
A grande lição é sempre essa, sobre a qual o Drummond escreveu.
Despertemos o ano novo dentro de nós! Isto é sério .
Denise

 Sobre hoje :
A simplicidade do mar lavou grande parte do peso deste ano e carregou com uma onda brincalhona e meio estúpida uma porção das cinzas do nosso Leonardo. 
Corpos e almas lavadas pelas águas frias de um mar cúmplice e sem rodeios, seguimos em frente.
Um limoeiro, na fila, espera pra ser plantado pro nosso galego ,no quintal da vó Betinha.
Beto, foi vc quem mandou esse Pessoa, lembra?
Parece que foi ontem...
Bjs
Terezinha


"Minha alma é uma orquestra oculta;
não sei que instrumentos tangem e rangem,
cordas e harpas, tímbales e tambores,
dentro de mim.
Só me conheço como sinfonia."

Fernando Pessoa
Do Livro da Intranqüilidade

Amigos,
Esse é do Vinicius , muito bonito , mas bem melancolico....
Enjoy
Beijos
Lillian

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos
Por isso temos braços longos para os adeuses Mãos para colher o que foi dado Dedos para cavar a terra.

Assim será nossa vida:

Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.

Não há muito o que dizer:

Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos: Para a esperança no milagre Para a participação da poesia Para ver a face da morte De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

(Vinícius de Moraes)

.

Queridos  Amigos do clubinho,
Achei esse poema lindo na Internet e achei bem pertinente ...
Beijos Lilian

Poema de Natal - Desejo de Victor Hugo
Mensagem de Natal, com o poema "Desejo" do poeta Victor Hugo. Aqui temos uma pequena parte desta linda obra arte: "Desejo primeiro que você ame, E que amando, também seja amado. E que se não for, seja breve em esquecer. E que esquecendo, não guarde mágoa. Desejo, pois, que não seja assim, Mas se for, saiba ser sem desesperar. Desejo também que tenha amigos, Que mesmo maus e inconseqüentes, Sejam corajosos e fiéis, E que pelo menos num deles, Você possa confiar sem duvidar. E porque a vida é assim.." Gostaria que nessa noite de confraternização, nossos relacionamentos, se estreite ainda mais, e que nossa amizade, que perdure para sempre. Que o seu Natal, seja repleto de alegria e paz, sinceramente é o que eu desejo com esta mensagem que envio.